CAPITULO
5
Sempre
tive problemas para expressar meus sentimentos, minha mãe ao invés de palavras
doces vivia me recriminando o tempo inteiro, dizia que eu era um estorvo para a
vida dela e que só dava decepções. Meu pai ao contrário dela me amparava quando
eu mais precisava.
Tudo
mudou quando disse que estava namorando, ele ficou irreconhecível, não olhava
mais nos meus olhos, a Senhorita mandona só sabia dizer o quão era a maior
decepção da vida dela. O Renato meu namorado não entendia a implicância que
eles tinham em relação a nós, mas o tempo foi passando e as coisas amenizaram
um pouco.
Vivi
sempre de incertezas, metade das garotas do colégio me odiava, Maria me dizia
que era inveja, mas isso me afetava demais. E chegou um ponto que já não
aguentava tudo aquilo, queria desistir de tudo, sei que pode parecer covarde da
minha parte, no entanto, só Deus sabe o que sofria todos os dias.
Senti
minha amiga afastada de mim nos últimos meses, não éramos mais as mesmas de
antes. Ela mesma já havia emagrecido muito, estava irreconhecível, começou a
andar com uma zinha chamada Verônica, não pude negar que estava irritada com
essa amizade delas, sempre fui meio possessiva com as coisas que me pertenciam,
na verdade entendi isso como uma traição.
No
fundo todos sabiam que eu invejava a Mah, tinha uma família que amava e davam
de tudo para ela. Sempre foi a queridinha de todos, era doce na medida certa,
sempre fomos as melhores da turma, fazíamos tudo juntas. Ela não era muito
bonita, mas hoje em dia está bem melhor que antes.
O
que mais adorava nela era suas loucuras, sua sensibilidade às vezes me
irritava, já briguei com vários idiotas por causa dela, mas parece que ela
nunca percebia isso, sei que pode parecer estranho, porém em tantos anos de
amizade nunca fomos de abraços ou qualquer coisa relacionada a carinho em
público.
Na
verdade eu sabia que ela não gostava muito dessas coisas, pelo menos era isso
que acreditava. Até vê-la agarrada com aquela muquirana falsa, me deu um ódio
infernal, as duas só andavam pra cima e pra baixo pareciam intimas demais.
Minha vida parecia um inferno, meu namoro ia
de mal a pior, principalmente quando me confessou que queria fazer amor comigo.
Surtei na hora é claro, ele sabia que sou menor de idade, pensei que fosse me
esperar quando estivesse pronta, no entanto, cuspiu essas palavras na minha
cara.
Disse-me que era homem e não aguentava
esperar muito, aquilo só piorou a situação, pois ele já devia saber que não
sedo nada de mim sobre pressão. Nossa relação estava cada vez mais insustentável
e os beijos se tornaram escassos, cedendo espaço para as discussões.
A pesar de toda distância a Maria parece que
resolveu lembrar-se de mim, embora que um pouco distante, mas foi puxando
conversa. Até que perguntou na lata o que estava acontecendo comigo, contei
exatamente tudo não escondi nada.
A expressão dela mudou de angelical para de
ódio, ainda não sei por que ela reagiu tão mal assim. Tenho certeza absoluta,
que ficou dessa forma, pois demorei a me abrir, porém ela não pode cobrar nada
de mim, pois enquanto ela se divertia com as novas amiguinhas eu sofria calada.
O Renato voltou a me pressionar novamente, só
que dessa vez resolvi dar um basta nessa relação. Ele nem ligou, pegou a moto
dele e foi para casa, aquilo me matou por dento, porém, tinha que se manter
forte.
Pensei que suportaria isso tudo, mas não
aguentei e desabei, precisava chorar nada e nem ninguém naquele momento
impediria isso. Enfim, fui dormir já era bem tarde e quase perdi o horário para
pegar o ônibus, minha cara estava péssima e a Mah que não era boba logo
percebeu.
Foi inevitável não contar tudo para ela, ao
invés dos outros dias dessa vez falou um monte de coisas, falou e ainda disse
que ele não era a pessoa certa para mim, era um babaca que só queria se
aproveitar das menininhas virgens indefesas.
Fiquei perplexa, nunca havia a visto daquela
forma, a pesar de concordar com algumas coisas eu o amava e não iria permitir
que ela continuasse com aquilo e realmente não deixei, brigamos feio nesse dia,
ficamos vários dias sem nos falarmos, essa só seria a primeira dentre várias
discussões.
Cheguei transtornada em casa, só que para a
minha surpresa o safado estava me esperando. Não sei com que cara ele ainda
olhava nos meus olhos, mas resolvi escutar o que de tão importante tinha pra me
dizer.
Começou com aquele papo de ser homem e suas
necessidades internas, aquilo me deu um ódio terrível, mas me pediu desculpas e
disse que esperaria meu tempo e assim foi durante dois anos.
Verônica e a Maria eram inseparáveis,
aquilo de certa forma abalou o que ainda existia entre eu e a Mah, de amizade
se transformou em ódio, eu não suportava ter que conviver com ela, odiava a sua
voz infantil, tudo nela era repugnante.
A bebezinha ainda conseguiu ganhar uma
medalha de melhor aluna da primeira unidade, aquilo realmente foi à gota
d’água. Eu queria arrancar de todas as
formas aquele título dela, batê-la e dizer o quanto ela era uma prepotente
estúpida.
Minha mãe me humilhou na frente de todos,
disse que eu era desprezível, que nem a porcaria de um título conseguia ganhar.
E Mah que não era nada, conseguiu isso num piscar de olhos. Aquilo atiçou ainda
mais minha raiva, prometi para mim mesma que não deixaria ninguém pisar em mim.
Toda vez que a sonsa tentava chegar perto de
mim, dava um jeito de sair pela tangente. Quem ela pensa que é, sei que acha
que sou como ela, tadinha tenho até pena dela, um ser tão insignificante, pode
ter ganhado essa droga, mas uma coisa ela nunca vai ter e isso se chama BELEZA.
Os
meninos babavam por mim, seriam capazes de qualquer coisa era só estalar os
dedos. Eles seriam bem importantes para o meu planinho quase que diabólico.
Tudo estava entrando nos eixos, havia ganhado
todos os prêmios desde então, aquela maldita ainda veio me parabenizar pelas
conquistas, acho é graça. Não poderia deixar barato tal afronta, e tratei de
deixar bem claro quem era a melhor em tudo.
Vi ela se afastar, mas algumas verdades
precisam ser ditas e essas eu tinha o maior prazer em dizê-las. Queria dizer
tudo o que pensava sobre ela, mas ainda não era o momento, eu precisava pensar
uma maneira ‘’meiga’’ de dizer, claro que no sentido péssimo da palavra.
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