CAPITULO 3
DESASTRES
Quando eu penso que nada pode piorar, simplesmente a vida
vem e acaba comigo de novo. A droga do ônibus quebra no meio da ladeira, me
senti numa montanha-russa descendo de costas, mas espera ai, eu nunca fui a
uma. Então não posso dar muitos detalhes sobre isso.
Depois
de não sei quanto tempo a tartaruga móvel funciona, se bem que aquilo está mais
para lata velha, enfim, morar no interior tem dessas coisas, principalmente
onde moro, nem sinal de celular tem, a última vez que conversei com alguém, cai
literalmente de bunda no chão, mas também quem manda ficar em cima da mesa.
Obs: PALAVRAS DE MAINHA.
A pesar
daquele clima chato entre eu e a Sophia, chegamos juntas no colégio como
fazíamos todos os dias. Senti-me um pouco deslocada, mas não dava para ficar
muito tempo longe dela, não conseguiria mesmo se quisesse.
A
professora Adriana já estava dando aula quando entramos na sala, todos olharam
em nossa direção, não sei por que, mas algo não estava cheirando bem. E
realmente não estava, estávamos podres, imagina ai uma mistura de perfume caro
com fumaça de óleo queimado, pois é da próxima vez que aquela coisa ambulante
quebrar eu mesmo venho a pé, o que na verdade são 17 km perto da vergonha que
estou sentindo agora?
Minha
pergunta nem precisa de resposta, depois do mico do início sentamos no fundo da
sala, situação mais que complicada. Não prestei atenção em uma palavra se quer
da professora, minha cabeça ia longe, mas precisamente numa certa morena de
cabelo negro como a noite.
Posso
dizer que a minha cara devia está muito ruim, porque pra todo mundo está
olhando na minha direção a coisa não poderia ser boa. Passando algum tempo,
levo um beliscão no braço. Ia até reclamar com o infeliz se não tivesse sido a
minha morena.
Perguntou-me
se estava bem, mas acho que fiquei tempo de mais calada, a paixão tem dessas
coisas infelizmente, ficamos bobos até com um simples apertar da bochecha. Bem,
talvez possa dizer que estou ficando mesmo aluada.
Ela era
a menina mais cobiçada, além de ser linda ainda tinha diversos dons como saber
cantar e atuar nas peças da igreja, quando falava sua idade todos se
assustavam, não tinha cara de criança. Pelo contrário, qualquer um que a visse
diria ter mais de dezoito anos ao invés de onze.
Meu pai dizia eu era um fusquinha perto da
Ferrari que era ela, minha mãe sempre discutia com ele sobre esses comentários,
mas fazer o que se ele tinha razão.
Minha
autoestima sempre foi baixa, sempre me achei feia, gordinha e branquela demais.
Resolvi mudar algumas coisas, não dava para continuar dessa forma, algo
precisava ser feito, e eu fiz.
Já havia
dois meses que estava fazendo dieta, parece que começou a fazer efeito, tirei
todas as porcarias da minha vida, comecei a participar das aulas de educação
física que sempre fugia. Só a cabeça e o coração que ainda insistiam em não me
cooperar.
Vi que a
minha linda andava meio distante nos últimos dias, então resolvi ter uns papos
sérios com ela. Chegando perto dela, percebi seus olhos tristes, parecia que
havia chorado bastante.
Perguntei
o que estava acontecendo, mal imaginava eu as bombas que ouviria a partir de
então. E pensar que esse só seria o começo de tudo infelizmente, pode afirmar
que esse início não poderia ser pior.
Contou-me
que o crápula do namorado dela queria transar logo com ela, fiquei roxa de
ódio, minha raiva era tão tanta que se tivesse uma faca eu ia lá e arrancava o
pinto daquele idiota. Percebendo a minha cara nada legal, tratou de me deixar
um pouco mais aliviada, ao me dizer que não faria nada com ele por enquanto,
pois não se sentia preparada.
Fiquei o
restante do dia pensando o que havia ouvido mais cedo, precisava fazer algo, só
não sabia direito como. Dormi cedo, porque precisava acordar às cinco horas
para pegar ônibus, sim aquele mesmo do outro dia.
As
coisas mais inimagináveis sempre aconteciam comigo, lembro-me do quinto ano
quando inventei de brincar de Power Rangers, só podia está doida, mas se você
está se pergunto qual o problema de brincar disso, responderei que nada,
tirando a parte que quebrei os dentes da frente.
Trágico
pra não dizer outra coisa, pior ainda foi à reação de mainha a me ver toda
ensanguentada, a cara do Chucky com certeza estava bem
melhor. Depois das broncas bem que merecida, fui para casa com a janelinha aberta
e assim permaneci por um bom tempo.
Com
esses pensamentos segui em direção ao mercado, comigo foi Sophia, Fernanda,
Flavia e Elisa, era sem dúvida um quinteto meio louco. Sempre tive manias muito
diferentes, uma delas era não beber da água do colégio, para não morrer de sede
comprava minha garrafinha mineral todos os dias.
Chegando
quase enfrente ao portão de acesso da onde estudávamos, dei por falta de uma
coisa. Cadê o meu chinelo do pé esquerdo meninas? Ouvi um silêncio assustador,
ninguém me respondeu nada.
Mas como
é que pode uma pessoa ser tão desligada assim, essa situação só poderia ter
acontecido comigo, perder o chinelo pelo caminho e não ver. Na via de dúvidas,
voltei atrás e resolvi procurar por onde havia passado antes.
Fui ao
mercado, a moça do caixa me olhou preocupada, estranho mesmo foi a cara dela
quando disse o motivo de está ali. Tadinha acho que se perguntou se realmente
eu batia bem da cachola, estava já parecendo um saci tentando me equilibrar em
um pé só.
Quando
vi que teria de ir assim até me bateu um frio na espinha, chegando perto da
sala abri a bolsa, qual foi a minha surpresa? Sim, a maldita sandália estava lá
dentro, se me perguntar como ela foi parar lá, responderei que nem eu mesma
sei.
A
coitada estava arregaçada a correia tinha desprendido claro que eu não iria
entrar assim com ela na sala. Adivinha
vocês a minha ideia de girino, sei que é difícil então lá vai.
A
tontinha aqui resolver pedir ajuda para pessoa mais temida da face da terra, e
era ele seu Nestor o diretor do colégio. Ele era ranzinzo, não dava um sorriso
se quer e nunca cumprimentou os alunos.
Ao
chegar a sala dele, percebo que as coisas ali não andavam nada bem, tudo piorou
de vez quando ele olhou para mim e perguntou-me o que estava fazendo fora da
sala em horário de aula.
Foi ai
que soltei tudo de vez, disse bem assim para ele: Seu Nestor minha sandália
quebrou o senhor poderia consertá-la?
Olhou-me
com cara de desaprovação então falou: E como a senhorita quer que eu faça isso
mesmo?
Ah sei
lá, se tiver um grampeador ai é só dar umas pregadas nela que volta a
funcionar.
Depois
dessa situação bizarra e por incrível que pareça ele ter aceitado consertá-la,
fui mandada para a sala é lógico. Todos estavam entretidos com a aula de artes
e nem prestaram atenção no meu pé pelado, exceto as safadas das meninas, tenho
certeza que foi uma delas ou até todas.
Passou
um tempo, estava até esquecida desse pequeno probleminha, se não fosse o senhor
zangão aparecer e me lembrar dele. Todos o olharam assustado, mas depois tudo
se normalizou quando ele me entregou a maldita sandália e todos morrerem de
tanto rir da minha cara de pinico.
Então,
depois dessa posso dizer que fui zoada até comprar uma nova sandália, sim isso
mesmo eu usei a bendita desgraça até o fim de ano só pra ter noção.
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