sábado, 5 de setembro de 2015

SENTIMENTOS DE UM ALGUÉM II (como tudo começou)



CAPITULO 2

Maria era uma menina doce, ingênua e indecisa, no entanto, o que ninguém sabia era que ela guardava diversos segredos, tinha seis anos quando tudo começou, não sabia como, mas já tinha dimensão que desde aqueles fatídicos acontecimentos sua vida nunca mais seria a mesma.
O cabelo era comprido, liso até a cintura havia se passado cinco anos desde o ocorrido, durante muito tempo até tentou esquecer, mas de nada adiantou. Tinha sempre o costume de escrever no seu diário, odiava sair de casa e também em fazer tudo que uma pré-adolescente amaria só que não era o caso dela.
            Viveu isolada por muito tempo, tudo piorou depois que soube que a sua amiga de infância estava apaixonada por um cara dez anos mais velha que ela, com certeza ele era um ótimo partido, estudioso, fazendo faculdade de Medicina, todavia, era o príncipe encantado pra qualquer mulher, sim isso mesmo qualquer mulher que não fosse uma garotinha de onze anos menor de idade.
            Até hoje me pergunto como os pais dela concordaram com o namoro deles, isso sem duvida era uma maluquice, infelizmente não chego a nenhuma conclusão. Fiquei depressiva, minha vida se resumia do colégio para casa, a palavra lazer e diversão foram aniquiladas do meu curto vocábulo.
            A partir disso, percebi que meu sentimento não era de amizade e sim algo que ia além das palavras, talvez muitos possam pensar que fosse uma paixãozinha de adolescente, só que eu sabia que era muito mais que isso. A Sophia não saia dos meus pensamentos o dia inteiro, odiei o seu namorado por um longo tempo, só que isso não acabaria com o que estava sentindo.
            Eu era bem cheinha, lembro-me das brincadeiras de mau gosto que faziam comigo, era doloroso. Porém, já não tinha forças para nada. Foi inevitável que mudasse, já não era a mesma e todos perceberam isso, até ela.
           
No intervalo das aulas veio falar comigo, puxou um assunto qualquer que hoje não me lembro, por dentro estava despedaçada, meu mundo parecia ter acabado, do nada ela pergunta o que realmente estava acontecendo comigo. Fiquei assustada, queria abrir o jogo, só que a palavra fraqueza era muito mais forte, como percebeu que não falaria nada, logo mudou de assunto. Falou do seu namorado, enumerando diversas qualidades que eu nunca nos meus maiores sonhos teria.
Ela não sabia, porém, a cada adjetivo referido a ele acabava um pouco que ainda restava de mim. O restante da aula transcorreu bem, fui para casa arrasada com o que havia ouvido mais cedo.
            Comecei a contar tudo para meu amigo, embora soubesse que ele nunca falaria comigo, pelo menos me ouviria. No fundo queria que ela um dia o lesse por acaso, largasse tudo e ficasse comigo, mas contos de fadas não existem na vida real, minha vida estava mais para um pesadelo que não havia data para terminar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário